sábado, 21 de janeiro de 2017

Realidade

Por que você quis meu coração exposto?
Ali, cru, vulnerável, batendo animalescamente?
Quanto eu te mostrei, foi porque eu acreditei que havia um lugar seguro pra o deixar
Não foi pra você o ridicularizar

Eu confiei. Desconfiando, confiei
Porque achei que você jamais pudesse me machucar
Pensei que na fuga daquelas mesmas feridas de sempre
Você fosse um Porto Seguro

Por que você disse chorando que eu era uma alma sofrida?
Se não era pra dizer que você entendia
Eu nunca me despi assim na frente de ninguém
Porque eu sabia que seria quando olhos julgadores me invadiriam

Não que minhas perguntas façam algum sentido agora
Mas não espere ver minha alma tão de perto novamente
Porque você só demonstrou com essa sua postura
Que dói mais o golpe de quem a gente confia

E aqui estou eu: pelado e ferido
Sem lugar pra voltar, sem lugar pra ir
E não ache que você vai me ver assim novamente
Pois as únicas desculpas que eu devo são por te mostrar demais de mim.


sábado, 2 de agosto de 2014

O Sol

Acho que eu nunca tinha reparado detalhadamente a trajetória que o sol faz pelo céu antes.
Mas hoje, se você me perguntar, eu sei exatamente o caminho
Porque ultimamente meus dias têm sido isso: acompanhar impaciente o sol se por
E querer acreditar que, no máximo em meia hora, você vai estar aqui, sabendo que não vai.

Eu sei que eu não posso chegar e dizer o que você deve fazer com seus dias
Mas eu troquei de vida pra poder ter mais momentos com você
E tudo que eu consegui foram mais momentos dentro desse quarto
Que a cada segundo de atraso mais parece uma prisão

E as grades vão se estreitando, o ar vai faltando, eu vou delirando
Já não sei se a prisão é o quarto ou é você
Eu sei que você não me quer mal, mas parece se importar cada dia menos
Ou sou eu quem se importa cada dia mais

Você deveria saber que minha única distração é ficar aqui, olhando o sol pela janela
Jogando meus dias fora e rindo de mim, que poderia estar sorrindo também
Você também deveria saber que esse sol está me aquecendo
E a cada dia o olhando é um dia mais perto da ebulição

E quando eu finalmente ferver, eu vou transbordar, derramar, derreter
E escapar entre as grades da prisão
E não haverá nada que você possa fazer
Porque eu nunca fiz questão de esconder a impaciência

Você se importa? Então me leve para o sol
Voe comigo até bem perto dele, até eu evaporar
E me transformar em chuva, e desaguar, pra correr livre de novo

Quero ser mais que espectador da minha própria vida.


domingo, 9 de junho de 2013

Um ano.



Não posso olhar pra você. Eu estou confuso.
Eu me sinto como um passado incômodo, que você não deveria ter despertado.
Não sei o que está havendo comigo, pensei que já havia enterrado aquilo tudo.
Mas não. Parece que está tudo aqui, novamente.

Eu queria que você me perguntasse o que há de errado.
Pra que eu pudesse desatar esse nó na minha garganta
Eu te diria que eu fico imaginando
Como as coisas teriam sido de tivéssemos lutado um pouco mais

E como eu queria ter lutado mais, agora que já fui vencido.
Ele deve ser tão sortudo, tão melhor que eu.
E ele está do seu lado, você pode sentir o seu calor
Contra isso eu jamais poderia competir

Eu queria poder dizer que, se a gente ainda tivesse alguma chance
Eu aceitaria aquela proposta de que fiz desdém
Só por você, só pra tudo voltar a ser como antes
Mesmo sabendo que você recusaria, e que nada será como antes.

Eu tenho plena consciência da realidade
Mas ela agora me machuca tanto, que eu prefiro fantasiar
Como sinto falta daquele ano, e de como tudo parecia mais brilhante
Mas você ama e desama muito rápido.

E eu insisto a me apegar em um passado
porque eu olho pra frente, e não vejo nada que poderia ser melhor
E então me dou conta que estou suspenso no tempo
Meu coração ficou pra trás. Não há mais nada que pulse em mim agora.

sábado, 8 de junho de 2013

Dia negro.

Há certos presentes que a gente não escolhe ganhar.
Eu, por exemplo, não queria ganhar essa passagem inevitável do tempo
Isso me faz pensar no passado, e de tudo que foi deixado para trás.

Não é uma questão de se arrepender ou não
Não cabe se arrepender do que é imutável.
Certas coisas são deixadas pra trás, e ponto final.

Há certas feridas que a gente nunca deve remexer.
Eu sei que a gente já superou a nossa, mas fui pego de surpresa
às vezes a constatação de que somos nada além de passado me assusta

Somos nada além de passado. Somos nada além de vítimas do destino
Estou feliz por você, juro. Mas estou triste por nós.
Porque lá no fundo, eu sempre tive esperança de que um dia o universo enfim conspirasse a nosso favor.

Ledo engano. Há certos futuros que são inviáveis.
Começo a pensar que há mais futuros inviáveis do que alternativas
Eu só queria que tudo tivesse sido diferente. Tudo.
Que nossa história não estivesse sido escrita do avesso

Mas não importa. Há certas dores que ninguém ameniza
Nem um novo amor, nem um bom amigo, nem bebida, nem o tempo
Há certas dores que devem nos acompanhar no túmulo.

Eu deveria ter jogado meu coração naquelas águas
daquele rio, e largado ele por lá, afundando
E nunca esperar que, um dia, ele flutuasse num longínquo oceano.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Have you ever?



Have you ever felt like you're nothing but a missing puzzle piece
and there's no belonging and there is not a fucking thing that you can reach?
Baby you make me feel right like this
as a curse for something that I never did
Maybe I'm doomed

Have you ever seen eyes shinning like the biggest star in a moonless night
that turns you wonderwork and makes you feel so lucky for meeting them?
baby you make me feel right like this
as treasure for something that is not with me
Maybe I'm doomed

Maybe, baby, it’s not sad enough to say you I’m dying
Maybe I will really need to die
Before you look at me again
Before you talk to me again
you’ll need to have my blood in your clothes
Yes, it worth
Yes, it worth

Have you ever felt like you’re addicted to a behavior You’ve been hating until now
And like you just cant avoid seeing demons with eyes closed and imagining they’re pretty in light?
Baby you make me feel insecure
As If I never lost anything before
Maybe I'm doomed

Have you ever felt like you’ve been spending your life cuz your heart is nothing but ruins
And you will never fix cuz you give it before to someone who treats it just like trash?
Baby, hearts are not used cups
You just have one of them so you better take care
Maybe you are doomed

Maybe, baby, the truth is about you having no heart
Or about you don’t know how to use
Or about you just don’t give a fuck
Or about It’s me who have to learn
That you don’t deserve anything


Does it worth?

Loucura

Não é que eu goste de você, é que eu não gosto de perder.
Não gosto de perceber que fui atrás e não consegui o que eu queria.
Por dois motivos: me sinto ridículo por ter feito isso e o odeio ser tratado com  indiferença.
Não é que eu goste de você, é que eu queria que gostasse de mim, por capricho.

Mas não importa. Eu já planejei a despedida perfeita.
Quando você, enfim, sentir minha falta, eu vou dizer que sempre estive ali.
Que só eu sei meu próprio valor. E só você sabe quantos corações ainda pode descartar.
E que não temos mais motivos para termos aquela conversa.

O que é uma verdade. Se fosse hoje, eu estaria, ainda, de braços abertos.
Se eu não estiver mais de braços abertos, é porque nenhuma conversa mudaria minha opinião.
Já seríamos esses estranhos que estamos nos tornando.
Não importa o que teria te levado a me procurar mais uma vez.

Eu perdoo. Mas só uma vez.
Quem erra sabendo que está errando é porque não se importa com as consequências.
Ou com quem vai se ferir com elas.
E nós já havíamos gastado o nosso erro permitido.

Eu já assisti esse filme, mais de uma vez.
E eu não gosto do final. Por isso estou abreviando. Por isso estou acelerando
Vamos pular logo esse fim, pra mim já deu.
Você não parece querer segurar na minha mão e inventar um fim alternativo. Um fim onde não haja fim.

Mas é claro, não estou dentro de sua mente.
Não sei se seguiria meu roteiro.
Por isso, metade do que eu disse é irrelevante.
E a outra metade eu faço força pra acreditar que é verdade.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Outono




A duras penas a gente aprende que não se controla as coisas.
Não controlamos nem nosso próprio destino, quiçá o alheio.
Mas saiba que, se eu pudesse controlar, eu ia dar um jeito de os nossos convergirem
E faria que cada nova manhã fosse mais e mais bonita pra você.

Às vezes me pego sorrindo, idiotamente, lembrando de você
E de como eu me senti leve do seu lado
E de como eu pensava que a gente junto era estranhamente perfeito
Mas infelizmente, não controlamos o que há por vir.

Por isso, vou ficar em silêncio. Só quero ter lembranças boas de nós dois.
É melhor eu estancar minha veia curiosa, investigativa, e não querer saber porquês.
Já que se nada controlamos, saber ou não saber não muda o fim no fim das contas.
E essa minha necessidade de explicações lhe parecerá só um mimo.

Você saberia onde me encontrar, se quisesse o fazer
Se não o faz, não o quer. Eu não preciso te induzir a vir a mim.
Pode ser que minha lógica não seja lá a mais real, a mais correta
mas é o escudo que, por experiência, eu hei por bem de carregar comigo.

Não que eu goste, mas entre as dores, a menor.
E também não é um adeus, é só um: vou estar no mesmo lugar, vem me ver.
Se eu te faço alguma diferença, se você lembra de mim
Se eu não sou tão bobo como eu me sinto em insistir em sentir

Só não demore, porque eu não controlo nosso destino
O que é silêncio hoje, amanhã é mágoa, e depois é adeus
Ou é dor a cada dia reprimida, ou arrependimento destes versos
O certo é a inconstância, e que amanhã não serei a mesma alma