segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Só segue.

Só pra esgotar todas as possibilidades
Eu precisava ter certeza.
Agora que aquela sua nuvem preta desapareceu
eu precisava saber o que eu ainda era, ou não era.

Aquela foi a sua última chance.
Se você olhar para trás agora, não vai ver a pessoa que conheceu antes.
Não vai ver sequer um bom amigo.
Vai ver só indiferença.

Eu posso até me arrepender um dia
mas eu quero mais é que você não demonstra nada por mim
Não quero ter que jogar toda a minha inconveniência em você.
Aquela foi sua última chance.

Fiquei esse tempo todo preocupado com você.
Agora vai ser o contrário.
Minha mente tá livre.
Já posso cuspir todo esse veneno.

Eu te chamei pela última vez, você não olhou pra trás.
Eu não faria isso agora se fosse você.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Heartbeat

Escorre entre meus dedos.
Ainda brilha de um jeito bonito, vermelho, vivo
Mas não vai nem brilhar e nem correr para sempre
É só o tempo de o sangue acabar
Ai não vai passar de carne morta.

Enquanto não acaba, eu fico aqui, vendo meu coração sangrar na minha mão.
Sentindo o jeito que ele bate
Faz com que eu me lembre de uma música, mas faz tanto tempo já...
Esqueci a letra.
Melhor só sentir mesmo. Não vai durar pra sempre
Cada vez mais fraco, mais pálido.

Pensei em arremessá-lo longe, virar as costas e ir embora.
Mas não. Alguém poderia encontrá-lo, e achar que poderia reanimá-lo.
Não. Quero me certificar de ver sua última batida.
Só de pensar que ele não vai mais doer.
Vai ser melhor assim, uma vida etérea.
Tão etérea quanto as batidas de agora.

A primeira gota cai no chão frio.
Acho que vou enterrá-lo, deixar os vermes tomarem conta.
Afinal, não há mais volta.
Ele mal bate agora.
Está quase morto.

Que ninguém apareça pra lhe dar mais vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

The Airs

There's one thing I want you to know
Today I opened my eyes and I woke up all ok.
It looks like I have no remaining tears to expend with you
That's it. Now we are just gone

I wont supply you, I wont fall on my knees anylonger
Altough two days ago I could give my own life to save yours
You must know I dont fit as your punch bag

I told you that you act without a choice
But now I see that everyone can write the lines of their fate
What could happen if you just did it different?
Now it's only a part of this fate that you will never write

So why will I cry? So why will I spend my time
Thinking of things that wont be?
Today I said myself you are not a fucking thing to worry about
So different it would be if you worried back


The airs are going to say you what I want to say
Cuz you wont hear my voice anymore
You had all the chances to get other words in your ears

The airs are going to say you all the possibilities
that you thrown in the nook dustbin
Then dont look for me and dont regret

Soon I'm gonna get corage enough
to erase the SMS and those e-mails
Some day I'm gonna just forget
who were you and who were this name in my adressbook

That's when I'll get free, that's when there will be no turning back
A step ahead and the floor behind me has fallen appart
I will disturb you no longer, whilst you still disturb me

Eutanásia.

Olhe para nós.
Você realmente consegue ver algum futuro nisso?
Sabe, nós dois...

Não é como antes.
Antigamente eu costumava me importar mais
Suas crises de ausência continuam sendo tão irritantes quanto sempre foram
Mas existe uma diferença crucial
Antes eu ficava quieto pra não causar situação
Agora a situação já está criada, e eu não faço a menor questão de esconder

Não ligo muito pra aspereza das minhas palavras.
Afinal, eu deveria?
Você realmente está comigo pra sentir essa aspereza raspar seu rosto?

Eu já cansei de perguntar isso, e você sempre diz que está.
Mas o que são palavras desprovidas de atitude?
Diga que está do meu lado um milhão de vezes.
Eu só vou acreditar se puder ouvir sua respiração.

E então, vê algum futuro?
Vamos, não faça essa cara apática.
Não venha com palavras vazias.
Responda com firmeza.

Não quero nossa vida em um estado vegetativo.
Aja.
E se for para matar, só peço que seja rápido.
O que me diz?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

...

Não sou bom pra interpretar o silêncio.
Nunca fui apegado demais ao meu celular, mas agora?
Pareço um idiota. FIco olhando de cinco em cinco minutos.
Implorando por uma informação.

Implorando por mais um "eu te amo"
Ou então só saber se você está bem.
Eu já me daria por satisfeito.

Eu sei que seu silêncio é justamente pra não me torturar,
mas existe tortura maior que essa?
existe tortura maior do que esse pesadelo?

Talvez eu esteja te machucando também, e é por isso que eu não digo tudo isso diretamente
Eu não posso.
Você tem uma vida nova agora. Uma vida nova e forçada.
Te lembrar que eu existo é te lembrar da falta de escolha que você teve.
Por isso eu fico assim, quietinho.

Por mais que me doa fazer isso, tenho que me livrar de você
e permitir que você faça o mesmo
Juntar os cacos, apagar os e-mails e parar de chegar o celular.

Só queria ter forças pra fazer isso.
Quando a gente permite que alguém conheça nossa alma, não é tão fácil expulsá-la.
Principalmente quando não é o que a gente quer fazer.

Uma hora passa.

Onde está meu celular mesmo?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Veredictum

Eu te proponho um julgamento:
Qual o grau de culpa daquele que mata pra sobreviver?
Quão ampla é sua vontade de matar?
Ele tem vontade de matar?

Ele sabe que ser assassino não cai bem aos olhos alheios
Mas que escolha ele teve?
Ele não queria matar.
Se tivesse escolha, jamais teria sujado as mãos.

Mas ele sujou. E ele vai ser sempre sujo,
por algo que, repito, ele não quis.
Mas você não viu isso.
Quando você chegou, só havia um corpo no chão, e ele de mãos sujas.
Pra você, ele simplesmente matou.

Ele repete mil vezes a sua versão pra você
Mas você fecha os olhos, fecha os ouvidos.

Você sentencia um furuto negro a ele.
Cadeia, pra sempre.
Mesmo sem culpa, mesmo sem escolha.
E o que você espera dele?
Conformismo?
Claro, não é? Afinal, pra você, ele é assassino e ponto.

De vez em quando ele se lembra que é inocente, e isso faz mal a ele.
mas passa, depois de um tempo.
A única coisa que ele espera
é que, a cada noite, você se lembre dele.
Que você se recorde do tamanho da injustiça que você cometeu
e que tente tirar esses pensamentos da cabeça, e não consiga.

E isso ecoe, ecoe...
e no próximo julgamento, você reavalie seus valores.

A noite em que nevou na ponta verde.

É engraçado o modo como não sentimos nossos dedos no inverno, não é mesmo? Todo o sangue do seu corpo se dirige aos órgãos vitais, como o coração e os pulmões, e os dedos, que são coisas supérfluas, perdem calor.
Algumas nevascas são tão violentas que os dedos sequer resistem ao frio, eles congelam, e têm que ser amputados.

Foi muita pretensão minha pensar que, em tão pouco tempo, eu pudesse estar perto do coração.
Eu não passo da ponta mais distante de um dedo, aquilo que na nevasca, não faz a menor falta.

Quem se preocupa com um dedo quando o que está em jogo é a própria vida?
Ninguém.

Me sinto idiota, sabe? de ter pensado tantas coisas.
A culpa não é sua, eu sei. Alguns sacrifícios são necessários.

Como dizia a música: outras situações em outras circunstâncias...
Lá vou eu imaginar mais uma vez. Preciso parar com isso.

Só me diz como fazer pra olhar pra você e não imaginar como as coisas poderiam ter sido.
Eu só preciso disso, porque elas não vão ser...
Seriam, em outras em outras circunstâncias, mas essas circunstâncias são virtuais
De uma realidade paralela que agora eu não faço mais parte.

Eu fui amputado, fui o sacrifício necessário.
Me diz como continuar agora, por favor.
Por que você acha que eu iria querer alguém melhor que você?
Só se esse alguém me fizesse sentir essa coisa louca também.
Não é amor. Isso eu já senti, várias vezes. Várias análogas vezes.
É algo diferente, que nem eu mesmo sei dar nome.

Alguém consegue me fazer sentir isso?
Duvido.
Mas que importância tem as dores de um dedo jogado no chão, tempos depois de ser cortado fora?
Nenhuma. Dedos cortados não se ligam ao cérebro e nem ao coração.
Dedos cortados não têm emoções.

Preciso parar de teimar em tê-las.

Me explica porque te conheci pouco antes da nevasca.
Me diz se essa merda não faz algum sentido.
Me diz se não foi só comigo.
Me diz qualquer coisa antes de eu ir pro lixo.