domingo, 12 de fevereiro de 2012

Apatia

Dê-me algum alucinógeno
E talvez minha mente divague por caminhos menos sombrios
E talvez eu caminhe por trilhas certas
porque eu caminho para um abismo maldito
Onde o céu é cinza e as árvores, mortas.

Dê-me algo para pensar, algo pelo qual lutar.
Já que me despiram de esperanças.
Dê-me outra dose de emoção, estou viciado
Dê-me boa música e boa companhia
E a madrugada falará por nós.

Dê-me um par de braços quentes
de alguém que vire as coisas de cabeça para baixo
Dê-me seu humor tempestivo, e mãos macias
e atitudes imprevisíveis
E mais batimentos por minuto.

Ou leve as lembranças, de todos os amores enterrados
lembranças são frustrantes
Dê-me o vento no rosto outra vez.
E as gotas de chuva, as estrelas, e o mundo inteiro
Sinto falta do mundo real.

Dê-me novos ares, ou me permita voar nos antigos outra vez.
Dê-me satisfação no ócio, e as cores de volta.
O abismo é logo ali, e até cair parece emocionante.
Dê-me novos sonhos, novas realidades
Ou me prive, em definitivo, de toda essa consciência.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ruindo.




Era como se eu tivesse estado cara a cara com a Medusa, como se eu tivesse me tornado um corpo feito de pedras.
Eu estava inerte, estagnado, como se tudo que eu pudesse viver já estivesse no passado.
Eu era uma estátua em meio aos seres humanos.
Não, numa noite, resolveram me perguntar: "Qual é o seu limite? Até onde você vai?"
E eu, intimamente, me fiz a mesma pergunta, ao mesmo tempo que meu coração voltava a bater.
Eu provavelmente tenho, sim, um limite. Mas eu não cheguei nele, ainda.
Ser uma estátua da decoração não podia ser meu máximo. Não podia.
E então minha pele ruiu, rachando em milhões de pedaços de pedra branca. Pedras rolaram, pedras voaram pelos ares e embaixo, adormecida, uma erupção me veio a flor da pele. Eu era pura lava, puro ardor. Eu era, então, humano.
Humanos normais não veem o futuro. Portanto, humanos normais não podem se permitir impor limites.
Perguntaram qual era o meu limite, e eu não soube responder.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Silêncio voluntário




Eu tenho minha voz de volta, meu tom natural.
Eu poderia gritar em queda livre, ou sussurar alguma canção, ou te fazer ouvir tudo aquilo que eu guardei comigo nos tempos de mudez.
Eu poderia entoar toda a merda que você merece ouvir, do tipo "foi você quem me deixou escapar. Não faço mais parte da sua vida porque você quis."
Eu poderia dizer coisas sobre a sua falta de caráter, de um jeito particularmente doloroso, como só eu sei fazer.
Mas pra quê?
Eu disse, quando você me calou, que uma hora o vento levaria o que não era verdadeiro,e ele levou.
Eu disse que, cedo ou tarde, você me ouviria, e, olhe só, você está de joelhos, suplicando por uma palavra minha.
Sinto muito, você perdeu a chance de me ouvir.
Tudo que vai ter de mim agora é uma amizade morna e conveniente, descartável a qualquer momento. Não terá conversas na madrugada, não terá conversas durante o dia. Não me terá preocupado com você.
Acostume-se a me ver deixando você para o segundo plano. Você quis assim.
Não ouse proferir uma sílaba para reclamar, ou eu despejo mil razões para ser ainda pior com você.
Meu corpo ainda tem o mesmo calor, mas meu coração está mais gelado que nunca.
O que você esperava ao tocar meu ombro? Que eu sorrisse, esquecesse meses de dor e agisse como se fosse seu melhor amigo?
Não. Vou te tratar como você me tratou, sempre.
Você tocou meu ombro uma vez, suplicante, e eu te ignorei.
Toque mais uma vez e eu parto seu coração com meia duzia de palavras.
Você não quis ouvir quando eu disse que seria bom.
Agora sou mau, e não perdi meu tempo tentando te dizer.
Minhas palavras são preciosas demais para chegarem aos seus ouvidos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dark side of me




Não sou uma boa pessoa, é bom que se saiba.

Tentei ser, por longos anos, e foi trabalho em vão.

Sustentei sentimentos alheios por muito tempo, lutei por causas perdidas por amor ao próximo. Chorei por dores que não eram, em verdade, minhas.

Mas agora meus ombros doem.

Então, antes de você depositar expectativas encima de mim, é bom que tudo esteja claro.

Não estou disposto a me anular, para não ver as pessoas magoadas.

Tenho algumas palavras desagradáveis acumuladas aqui dentro. Não quero usá-las contra você, mas quero, sim, usá-las, e pra machucar, dependendo do destinatário.

Tudo o que tem que fazer é não dar motivos para isso.

Não sou como Atlas, que sustentou o céu.

Odeio que dependam emocionalmente de mim. Odeio depender das pessoas, de que forma for.

E é por isso que você não deve tentar me engaiolar, nem esperar um conto de fadas ao meu lado.

Não sou um príncipe, eu fico melhor de vilão, ou qualquer outro personagem sem coração.

Se você não é capaz de me fazer sentir como o protagonista naturalmente, pare.

Para você, eu serei sempre uma má pessoa.

E se você sequer consegue me fazer sentir como uma pessoa, não espere humanidade de mim.

Eu posso ser realmente desumano, se precisar.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Luto em ricochete




A notícia da morte, por si só, não doeu.

Foi dita brevemente, an passant, como uma informação trivial.

Uma informação trivial que imediatamente me transportou para os lados mais remotos da minha memória, para um dia qualquer da minha infância, num dia de sol, numa cidadezinha que nem me lembro qual é. Só lembro deter estado lá, e de um sorriso de um velho. Só isso.

Não lembro do rosto dele. Mas lembro que o nome dele, há muito tempo, soava como diversão, como férias, e como tantas outras coisas boas, de moleque. E agora isso está morto.

Agora, além de passado, é irreversível.

Mas a notícia não feriu. Ela mais que atordoou, me fazendo pensar em sem sentido. Coisas como saber de onde eu vim, que o sangue que parou naquelas veias é o mesmo do meu, e que talvez, quando eu for velho, aquele seja o formato do meu sorriso.

Mas que homem permanece de pé ao ver sua fortaleza ruir? Isso sim doeu.

Estou de luto pelos vivos, não pelos mortos.

Aos vivos ficam os abraços e as palavras quentes.

Aos mortos ficam o respeito e as lembranças, que hei de manter quentes, também.

Ao morto fica a promessa de fazer seu sangue orgulhoso.

Descanse em paz.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

After-battles Thoughts




I am a warrior. Bet it.
It doesn't matter how big or how many fights you have won. I am a warrior.
I have a long sword, and time is teaching me who disembowel with it.
I am losing fear of killing.

I am a fighter.Trust it.
Battles have drag some people away, and I'm slowly inuring it
Wounds kill. If they don't, you will be healed.
I got that. I stand up. I move on.

I walk through high lands. I touch the sky.
I see heads from above, beyond emotions and feelings.
I get hurt, I get harder and farer.
You won't see weak swordmen of gone days.

I myself can't see them.
Each step on is a new me. I learn to don't look back.
Behind is woe, regret, victories and defeats.
God knows what is for comming.

So, I better sharpen my blade.
It shall be more and more useful till the golden days
Head up, fell the wind, and carpe diem.
Because I am a warrior, and battles come and battles go.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mundinho Pequeno



Eu e meu mundo de meia dúzia de outros habitantes.

O primeiro foi anônimo. Mal teve tempo de respirar. Eu não queria ele no meu mundo. Foi banido, pra eu nunca saber se fiz certo ou errado em expulsá-lo.

O segundo foi a traição. Esse ainda insiste em se disfarçar de amor, sem saber que eu sei mais do que aparento. Ainda habita, por aí, nas beiradas, esperando a hora certa de ter o rosto revelado.

O terceiro foi o amigo. E dos melhores. Foi eleito co-governador desse meu mundinho, dada a eficiência em conselhos, apesar de ser ele próprio incapaz de os seguir. Habita nuca casa bonita, por aqui.

O quarto foi a loucura. Só mostrou o rosto quando eu não estava são o suficiente pra saber se era um rosto bonito ou não, e tão logo surgiu, sumiu. Mostrou sua casa, numa noite que eu queria esquecer, mas não sei onde habita, em meu mundo.

O quinto foi o anjo. Foi uma luz divina que desceu, me retirou das trevas, e voltou para o céu. Voltou chorando, ouço dizer, mas ele habitava longe demais para permanecer no meu mundo.

O sexto foi a ilusão. Foi uma palpitação iludida, daquelas que se sente no começar a gostar de gostar de alguém. Parecia perfeito, mas era ilusão. E ilusões não me pertencem. Nem ilusões, nem pessoas. Esse habita no portão, pra poder sair. E voltar, se pretender.

Meu mundo precisa de mais gente. Precisa de alguém que eu possa dizer "esse foi o amor", e então, me corrigindo, retificar: "esse é o amor", e eu não vou falar dele, pois esse texto jamais o definirá, na essência.

Só não sei quem há de ser, num mundo de meia dúzia de pessoas.