segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Você
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Exumação
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Tesouro
domingo, 11 de setembro de 2011
Redenção
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Sozinho.
Eu estou me cansando de ser repetitivo, de sempre falar sobre você, de pensar em nossos dias que se foram, de xingar pelos seus defeitos. Eu estou fraco.
Nesse meio tempo, acho que eu me tornei uma espécie de mártir. Algumas pessoas vêm acompanhando meu drama particular, alguma delas até choraram comigo. Eu venho ajudando, mesmo que sem querer, a fazer essas pessoas mais felizes, a tomarem decisões mais corretas.
Que graça tem viver assim?
Não sou um exemplo. E mais: eu não quero ser um.
Eu quero ser um dos caras que pode chegar em casa no fim da noite e rir de como tudo foi perfeito, sem sentir sua falta, sem ter que escrever textos tristes.
Estou cansado de procurar frases de efeito no meu inconsciente. Estou cansado de precisar de alguém pra conversar. Tem tanta gente pra me ouvir, mas, de alguma forma, não é disso que preciso. Eu poderia falar por horas e horas, e ninguém – absolutamente ninguém – me faz sentir bem, apensar de alguns tentarem.
E o pior é que eu sei a razão. A culpa não é deles, é minha. Estou assim porque a única pessoa na face da terra que eu queria que me ouvisse não quer fazer isso. Na verdade, ela nem se importa e deve pensar em mim como só mais um idiota. Eu mesmo me vejo assim, por estar aqui, escrevendo mais um texto, meio que sonhando que talvez, por causa deles, você preste alguma atenção.
Provavelmente eu esteja enlouquecendo, porque, apesar disso, sei que é inútil, e eu estou falando sozinho. Eu até começo a duvidar que tudo aquilo que um dia eu ouvi de você foi verdade.
Depois daquela noite em que você me deixou perdido em alguma estrada de uma cidade desconhecida eu fiquei duas vezes mais esperto, mas três vezes mais triste. E hoje, não sei porque, eu me lembrei da primeira vez que você me deixou em uma estrada, e de como eu estava sorrindo naquele dia, de como parecia que eu havia descoberto a parte mais bonita de mim mesmo. Eu tenho cada detalhe daquela noite na minha mente: a multidão, o jeito que você me olhou, como se tivesse desenterrado um tesouro, o medo que eu senti de me arrepender, o cabelo na sua nuca, você rindo por ter que erguer os pés pra me beijar. Eu só queria sentir isso mais uma vez, pra ter certeza que eu não fantasiei toda essa perfeição.
Podem me chamar de louco, de ingênuo, de cego. Podem sugerir um milhão de atitudes para eu tomar. No fim, sou eu, minhas escolhas erradas e minhas indecisões pra ficar olhando para o teto, pensando em quanta gente eu envolvi nos meus problemas, sem que nenhuma delas pudesse, de fato, me devolver você.
Alguns até parecem bem empenhados em me fazer ter a pior imagem possível de você, mas eu me conheço. Eu só tiro conclusões pelo que eu mesmo vejo, por isso eu só poderia acreditar (ou não) em você, não neles. Tudo o que eu precisava era de uma troca de olhares, que não tem perspectiva de acontecer.
Tudo que eu precisava era de você.
domingo, 21 de agosto de 2011
Underground
Eu me lembro de você se orgulhar de ter muitos amigos
E, nas suas próprias palavras, falsos, mas seus.
Como eu pude ser inocente o suficiente pra pensar que você seria diferente deles?
Eu me lembro também do moralismo que você tentou me impor.
Agora ele parece um castelo ruindo pelos alicerces,
Sendo implodido, se destruindo por si só.
Me diz: como você tem coragem de andar de cabeça erguida?
Eu sinto como se houvesse uma barreira invisível entre a gente, na horizontal.
Aqui encima estamos nós, seres humanos.
E aí embaixo estão você e seus amigos falsos.
Onde eu estava com a cabeça pra mergulhar na lama com você?
E o pior, onde eu estava a cabeça pra entregar meu coração nas suas mãos sujas?
Devolva-o limpo, do jeito que te entreguei.
Não se desculpe, não se explique, não erga a voz comigo.
Você não merece nem um segundo da minha audiência agora.
Pode ir se lamuriar com seus amigos falsos
e rir, confortável, quanto eles te disserem que você estava certo.
Mas quando for dormir, pense na preciosidade que teve nas mãos.
Não estou falando de mim. Não seu muito melhor que os outros que passaram por sua vida.
Estou falando de ter tido alguém que daria o mundo pra te fazer feliz e ter jogado fora.
Pense nisso, e pense que isso não passa de poeira agora
Poeira essa que vai se juntar a toda a sujeira que cerca seu corpo.
Ainda dá tempo de tomar um banho e retirar todo esse pó.
Se o for tomar, não se esqueça de lavar bem atrás da orelha e enxaguar em a alma.
Porque há muita podridão aí que precisa ir pelo ralo.
sábado, 20 de agosto de 2011
Águas turbulentas
Por quanto tempo vamos nadar contra a maré?
Meus braços se cansaram há muito, por terem ficado tanto tempo para cima
E meus joelhos ainda doem por terem implorado tanto.
Desculpe, mas eu preferi afundar.
Não adianta me oferecer um bote salva-vidas agora.
Não percebe que o frio dessa água já foi fundo no meu peito?
Só não mais fundo que as feridas que você deixou
E que eu não te permito voltar a tocar.
Você parece um reflexo de luz que vem da superfície:
Pura beleza, mas difuso, inconstante, e só um reflexo.
Eu estou indo cada vez mais para o fundo.
Não há luz ou reflexo que me trará de volta
E se algum dia eu voltar lá para cima, você acha que valeria a pena?
Eu não serei o garotinho que você conheceu
Serei o homem que você machucou e foi forte o bastante para sobreviver
Não me confunda com um peixe de sangue frio.
Serei firme como uma rocha
Não sei se você será água o bastante para me perfurar
E se o for, leverá tempo.
Foi graças a você que meu coração esfriou.
E não espere que eu sufoque em minhas próprias palavras.
Engoli tantas delas a contragosto que terei fôlego por uma vida.
Só preciso relaxar os ombros e esperar.
A maré vai me levar para uma praia ensolarada, com ou sem você.



