terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tesouro




Há luz ante meus olhos. Eu fico contemplando, em silêncio, minhas conquistas, espalhadas pelo chão, como fragmentos desconexos de um passado qualquer. Ainda brilham, mas estão a cada dia mais ofuscadas pelo tempo.
Por que diabos nenhuma delas me satisfaz? No instante que as conquisto eu me sinto flutuar, mas no segundo seguinte, elas simplesmente não são suficientes. Aí ficam assim, amontoadas pelo chão, juntando poeira.
O que eu preciso para ter algo duradouro? Algo que, daqui há dez anos, eu olhe e perceba que ainda brilha com a mesma intensidade? Não vejo nada assim no meio das minhas tralhas.
Eu só queria finalmente ter o que eu quero. Estou cansado de conquistar vitórias, que, no fim das contas, não fazem de mim um vencedor. Só trazem frustração, sensação de impotência e, cada vez mais, apatia. Talvez eu tenha ido com muita sede ao pote, gasto todas as minhas energias e não ter chegado em lugar nenhum.
Preciso de algo sólido, algo real. Preciso de resultados, porque objetivos eu já tive vários.  Algum deles eu atingi e, quando o fiz, só vi que ainda não era o que eu queria, aí joguei a conquista no canto. Alguns eu desisti, porque sabia ser esforço em vão. E, ali, no meio da pilha de conquistas, eu vasculho fundo, e não vejo resultado.
O que está faltando? Preciso da resposta, pois estou ficando velho demais para colacionar tranqueiras.